A Revoada - Gabriel García Márquez
Saturday, March 17, 2012
iii.
Mas não demorou muito para que percebesse que algo de extraordinário acontecia em suas noites. Ouvia-o mover-se no quarto com uma atormentada e enlouquecedora insistência, como se nessas noites recebesse a visita do fantasma do homem que ele fora até então, e ambos, o homem passado e o homem presente, estivessem empenhados numa surda batalha na qual o passado defendia sua raivosa solidão, seu invulnerável aprumo, seus personalismos intransigentes; e o presente, sua terrível e imutável vontade de libertar-se do próprio homem anterior. Via-o dar voltas no quarto até de madrugada, até quando sua própria fadiga esgotava a força do adversário invisível.
Wednesday, February 15, 2012
Conto de verão nº 2: Bandeira Branca
trecho do conto espetacular do Luís Fernando Veríssimo (provavelmente meu trecho preferido de qualquer conto que já li)
E a todas essas ele pensando: digo ou não digo que aquele foi o momento mais feliz da minha vida, Bandeira Branca, a cabeça dela no meu ombro, e que todo o resto da minha vida será apenas o resto da minha vida? E ela pensando: como é mesmo o nome dele? Péricles. Será Péricles? Ele: digo ou não digo que não cheguei mesmo inteiro aos 30, e que ainda tenho o leque? Ela: Petrarco. Pôncio. Ptolomeu.
Saturday, February 4, 2012
dúvidas pouco relevantes
Se você chega a uma conclusão filosófica sem saber que dita conclusão já foi feita há milhares de anos por outro filósofo, isso faz de você tão criador desta conclusão quanto o primeiro a chegar até ela, ou você já a conhecia inconscientemente devido às repercussões dela com as quais você conviveu durante toda sua vida e, portanto, apenas deu nome aos bois?
Isso faz sentido?
Para mim não
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